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A #VazaJato e a guerra de nervos

Por Caio Teixeira

A #VazaJato – série de publicações de diálogos de autoridades públicas relacionadas à operação Lava Jato, feita pelo site The Intercept Brasil, caiu como uma bomba no governo Bolsonaro. Desde o domingo (9), quando o The Intercept Brasil publicou reportagens indicando a interferência  na Operação Lava Jato de Sergio Moro, na época juiz, atualmente ministro da Justiça e Segurança Pública, não se toca em outro assunto. 

Primeiro, antes de aprofundar o assunto, é necessário repudiar os ataques ao jornalista Glenn Greenwald, todos os trabalhadores/as do Intercept, ao deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) e sua família e a Jean Willys (exilado na Europa após ameaças de morte). Os bolsonaristas estão provocando ataques descabidos aos jornalistas e ao jornalismo investigativo. O ministro da Justiça, Sergio Moro, principal atingido, chamou o Intercept, no Twitter, (14/07/19) de “site aliado a hackers criminosos”. #MoroMente ao dizer que o site é aliado de “criminosos” ao divulgar matérias de interesse público. O Intercept disse que a fonte é anônima e que jornalistas e veículos não são responsáveis pela maneira como a fonte obtém as informações, o site tem este direito assegurado pela Constituição.

A onda de ataques mais focada em Gleen Greenwald começou logo após a publicações da #VazaJato, “As mensagens secretas da Lava Jato”, já houve pelo menos, duas grandes ações coordenadas no Twitter; 1) #DeportaGlennGreenwald 2) #ShowdoPavão. Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), Carlos Jordy (PSL-RJ), Filipe Barros (PSL-PR), Heitor Freire (PSL-CE), Charlles Evangelista (PSL-MG) e Paulo Eduardo Martins (PSC-PR), entre outros, fizeram ataques institucionais e/ou nas suas redes sociais.

Manifesto solidariedade a Gleen Greenwald, à sua família, aos jornalistas do Intercept, David Miranda e Jean Willys, principalmente aos ataques que partem dos agentes públicos. As tentativas de intimidar e censurar um veículo ou ações parlamentares são típicas de conjunturas autoritárias e não podem ser toleradas na democracia.      

A última de Sergio Moro foi na audiência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mudou o discurso, no início da denúncia, o ministro dizia que as mensagens existiram, agora, já questiona se eram reais. Já disse que não via nada de mais, mas não negou a autenticidade das mensagens, mas já mudou o discurso novamente (trágico). As mensagens comprovam que Moro cometeu crime, no escurinho do cinema, mensagens privadas, promiscuidade, Moro se mete nas atribuições do Ministério Público Federal – PR. Não foi observado o devido precesso legal. Não se lembra de “In Fux we trust”? 

Muitas perguntas precisam ser respondidas depois da #VazaJato. A quem interessa o ataque a fonte e a criminalização do jornalismo investigativo? “Hackers Criminosos”? “Invasão Hacker”? “Grupo Criminoso”? “Compra de Mandato”? 

Moro reconheceu como autêntica a frase que disse, depois disse não ter dito, e depois disse que não se lembra. É um absurdo total, ele está confuso. O Intercept pode preservar sua fonte, quem precisa comprovar o conteúdo é a justiça. Deltan Dallagnol não negou as mensagens. Se diz preocupado com o que ele diz ser um ataque “hacker”, só que Deltan ainda não entregou seu celular para a perícia. Parcela da grande imprensa virou contra Moro e Dallangnol. O Estadão e Veja já estão questionando Moro. 

A Lava Jato usou vazamentos e relacionamentos com jornalistas como estratégia para conquista da opinião pública. Cometeu ilegalidades em nome do combate a corrupção. É um ato de desespero dizer que o Intercept é aliado de criminosos, quer intimidar. 

Moro auxiliou na acusação demonstra os arquivos – que incluem mensagens privadas, gravações em áudio, documentos judiciais e outros itens, enviados por uma fonte anônima. A Lava Jato eliminou mais de 1 milhão de empregos nos setores que mexeu. O ministro e ex juiz de primeira instância reclamou, no Senado, que o The Intercept Brasil não tem divulgado todas as conversas que possui. A reclamação é a mesma de vários acusados da Lava Jato, o juiz Moro não divulgava as informações sobre alguns processos e divulgada de outros, mostrando sua parcialidade.

O acervo do Intercept precisa ser completamente público, preservando a fonte e a autenticidade, assim que concluída a série de publicações. Estes documentos são importantes para desmascarar o golpe, a farsa eleitoral de 2018 e Moro. Estes documentos são fundamentais para história brasileira e devem ter acesso público.

Se o Brasil fosse um país sério, Lula seria solto e as eleições de 2018 anuladas. A Lava Jato toda estaria sob suspeita. Seguiremos aguardando as cenas dos próximos episódios, seguiremos perguntando. E os desempregados? E a indústria nacional? Brasil é colônia dos EUA? 

O governo Bolsonaro precisa responder muitas questões.

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