Caio Teixeira

Exército da morte

Por Caio Teixeira

Vejam só, mais de 80 tiros, sangue, sangue negro. Militares em um jipe e um blindado do Exército fuzilaram um carro de uma família em Guadalupe, zona norte do Rio de Janeiro, na tarde de domingo (7/4). O Comando Militar do Leste (CML) assassinou Evaldo dos Santos Rosa, na frente da sua família, cinco pessoas negras estavam no carro, Evaldo, a esposa, uma amiga, o filho de 7 anos e o sogro, Sérgio, que também foi baleado. A esposa, o filho e a amiga não se feriram. Um pedestre que passava no local também ficou ferido. As cinco pessoas que estavam no carro iam para um chá de bebê.

Oficiais do exército mataram Evaldo, homem negro de 51 anos, que trabalhava como músico e segurança. Mataram um trabalhador, pai de família com dinheiro público, mais de 80 tiros! Logo após a morte de Evaldo, o CML emitiu uma nota negando que tenha atirado contra uma família e disse que respondeu a uma “injusta agressão” de “assaltantes”. Depois, em outra nota, informou que o caso estava sendo investigado pela Polícia Judiciária Militar com supervisão do Ministério Público Militar. O delegado Leonardo Salgado, da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro, chegou a afirmar que tudo indica que os militares do exército mataram Evaldo, atiraram ao confundirem o carro com o de assaltantes, disse ainda, que nenhuma arma foi encontrada no carro. 

O CML informou, na segunda-feira (8), que prendeu 10 dos 12 militares ouvidos após a ação que matou o músico Evaldo. Uma lei de 2017, sancionada por Michel Temer, diz que crimes dolosos contra a vida, cometidos por militares, serão investigados pela Justiça Militar da União. A perícia feita pela Polícia Civil será enviada para o Exército. O delegado da Polícia Civil disse que havia indícios para uma prisão em flagrante. Luciana Nogueira, viúva de Evaldo, afirmou que militares debocharam após fuzilarem o carro. “Por que o quartel fez isso? Eu disse, amor, calma, é o quartel. Ele só tinha levado um tiro, os vizinhos começaram a socorrer. Eu ia voltar, mas eles continuaram atirando, vieram com arma em punho. Eu coloquei a mão na cabeça e disse: Moço, socorre meu esposo. Eles não fizeram nada. Ficaram de deboche e rindo.”

A tentativa de colocar toda a culpa na figura dos recrutas que apertaram o gatilho é equivocada, os verdadeiros culpados são aqueles que destilam ódio e racismo diariamente no discurso e em políticas públicas, o presidente Jair Bolsonaro, o ministro Sérgio Moro, a maioria do Congresso Nacional, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, o comando das forças armadas, os grandes meios de comunicação que apoiam essa política genocida de segurança pública e parcela da sociedade que apoia esses governos.

Witzel já disse que a polícia ia atirar na cabeça, agora, disse que não cabe a ele fazer juízo de valor nem muito menos tecer qualquer crítica à ação de militares do exército. Depois de seis dias sem comentar o assassinato, Jair Bolsonaro falou que o exército não matou ninguém e classificou o episódio como um incidente. Sérgio Moro disse que é uma “questão terminológica” usar a palavra incidente para se referir ao assassinato de Evaldo.

É necessário dizer: Seguiremos defendendo os Direitos Humanos, continuaremos denunciando essa política de segurança pública de genocídio do povo negro brasileiro e deixamos nossa solidariedade às famílias.

Caio Teixeira é estudante de arquivologia.

 

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