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#DossiêDitadura: Marilene Villas Boas Pinto

Nesta sessão do #DossiêDitadura, Luan Ribeiro e Camila Pizzolotto se revezam na escrita dos textos que relembram as histórias de cinco militantes que desapareceram ou foram assassinados pela ditadura militar. 

Marilene Villas-Boas Pinto, ou Índia, como era chamada no Movimento Revolucoinário 8 de Outubro (MR-8), era estudante de Psicologia na Universidade Santa Ursula, no Rio de Janeiro. Apesar de ser nascido no seio de uma família tradicional, descendente direta do Barão de Nova Friburgo, e filha de um famoso neurocirurgião, a luta pela libertação do povo brasileiro foi a tônica da juventude de Marilene. Ingressou na Aliança Libertadora Nacional, mas logo se alistou nas fileiras do MR-8.

Na casa que vivia em Campo Grande, bairro do Rio de Janeiro, com seu companheiro, também do MR-8, Mario de Souza Prata, fizeram um “aparelho”, um esconderijo para armas e munições dos guerrilheiros do movimento. Numa emboscada, Mario morreu a tiros e Marilene foi baleada. Sorte seria se tivesse tido destino parecido com o de seu companheiro. Apesar de estar com sua vida esvaindo com seu sangue derramado jorrando no chão, foi levada para instalações do exército, onde foi torturada até a morte.

Inês Etienne Romeu, única sobrevivente da Casa da Morte, centro de tortura em Petrópolis, no interior do Rio de Janeiro, relata que os torturadores comentaram no Hospital Central do Exército como Marilene foi forte. Mesmo com as dores dos tiros que levou e das atrocidades que faziam em seu corpo, em nenhum momento chegou perto de delatar nenhum de seus camaradas. Sem logro na tortura, os agentes do DOPS deferiram um tiro em suas costas e a levaram já sem vida para o HCE.

Em seu enterro, militares à paisana provocavam oficiais e amigos que foram chorar a morte de Marilene e a já morta democracia brasileira. Com gritos e insultos, davam um sabor ainda mais amargo às lágrimas que corriam o rosto. Foi enterrada de caixão lacrado, como ordenado pela polícia. Marilene e Mario Prata, companheiros de vida e luta, agora se encontravam no paraíso da liberdade e no panteão dos verdadeiros heróis da pátria. Fica guardada na história a coragem da guerreira, dando uma justificativa ainda maior ao codinome dado pelos camaradas, que a chamavam de “Índia”.

Camila Pizzolotto é doutoranda em História e militante da APS.

Luan Ribeiro é professor de História e compõe a direção do Sindicato dos Professores do Rio de Janeiro (SinproRio) 

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