Miguel Pinho

Derrotar o programa do golpe é a primeira batalha para o Lula Livre

Por Miguel Pinho

Em 2016 um golpe parlamentar depôs Dilma de seu mandato e colocou Michel Temer no poder. A missão de Temer era destruir a CLT e o que havia de progressivo na Constituição de 1988. A reforma trabalhista e a emenda constitucional que congelou gastos públicos foram duros golpes nos direitos sociais de todos os brasileiros. Mas a não realização da reforma da previdência, em virtude de intensa mobilização popular e desgaste na opinião pública, deixou a tarefa pendente para o próximo lacaio dos bancos que chegasse ao poder.

Em 2018, com um julgamento em tempo recorde, descumprindo as exigências constitucionais do devido processo legal, Lula, até então líder nas pesquisas de intenção de voto para presidente, foi preso. A burguesia tramou um golpe de estado em 2016, não iria permitir qualquer tipo de mediação ao seu projeto de dilapidação da constituição de 1988 e dos direitos dos trabalhadores.

A imensa popularidade de Lula garantiu que Haddad chegasse ao segundo turno e disputasse com Bolsonaro, Entretanto essa fidelidade eleitoral de uma grande massa popular não se converteu em imensas mobilizações populares, até porque durante os governo petistas não houve estímulos significativos para a mobilização por reformas e luta por direitos. Seria difícil de um momento para o outro converter essa base eleitoral em uma massivo contingente de manifestantes pela liberdade de Lula.

Enquanto governo Bolsonaro gozar de popularidade, existirá um certo bloqueio para a campanha pela libertação de Lula ampliar-se para mais setores da sociedade e avançar. O derretimento da popularidade do governo é um bom indício, mas a cartada mais importante que se apresenta para os lutadores sociais é a combate contra a reforma da previdência. Proposta bastante impopular e que pode garantir para oposição do Bolsonaro reatar os laços com o povo e mais conseguir afundar o governo Bolsonaro logo em seu início.

A primeira tarefa para os que lutam pela libertação de Lula é derrotar a reforma da previdência, inviabilizar o governo Bolsonaro e desmoralizar o programa do golpe. Construir com isso uma correlação de forças mais favorável para a libertação de Lula.

Miguel Pinho é professor de geografia e editor do Voz da Resistência

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