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O Escola Sem Partido avançará?

Por Maykon Santos

O governo Bolsonaro foi eleito a partir de algumas bandeiras que o alavancaram pelas redes sociais.

O fator de identidade principal eram uma ideologia antiesquerda que vê comunismo em tudo no campo mais geral e que se completava com uma visão conservadora de mundo no campo da vida privada. Para essa visão, a esquerda tem uma guerra cultura que visa implodir os valores que sustentam a visão de mundo conservadora e existem aparelhos ideológicos no qual a esquerda disseminação essa guerra, sendo uma das principais a escola.

Por isso, na entrevista ao jornal com maior audiência durante a campanha, Jornal Nacional, o então candidato mostrou um livro que não é material pedagógico das escolas.

Por isso, as fake news sobre kit gay, mamadeira com formato de órgão sexual e tantos outros.

Era fundamental para o então candidato e o agora presidente mobilizar sua base de apoio a partir dessas notícias falsas.

É basilar num discurso de nós contra eles atribuir ao eles uma série de ações que fogem ao escopo do aceitável, justificando medidas extremas contra estes. Principalmente no campo do discurso.

Após eleito, o governo tomou várias medidas, colocando nomes aliados com sua visão de mundo em postos chaves, iniciando pelo Ministro da Educação, Ricardo Vélez.

Afinal, o sucesso do governo Bolsonaro passa por ter vitórias nesse campo simbólico e mobilizador para boa parte dos apoiadores do governo.

Não por menos, uma das primeiras medidas concretas do governo Bolsonaro no campo da educação foi oficializar o desejo de regulamentar o ensino domiciliar, medida defendida principalmente por grupos religiosos bem organizados.

Nesse sentido, as disputas em torno do projeto Escola Sem Partido são fundamentais.

Além disso, esse jogo não ocorre somente na Câmara Federal. Há projetos em diversos entes da federação.

A temática chegou na Alesp (Assembleia Estadual de São Paulo) na qual o deputado estadual Wellington Moura do PRB (1) protocolou o Projeto de Lei 39/2019 que proíbe o ensino do conceito de ideologia de gênero em toda rede de ensino do estado de São Paulo.

Mais uma vez, usa-se de um subterfúgio. O que seria ideologia de gênero? O PL não especifica. Qualquer discussão sobre sexualidade poderá ser proibida caso um PL como esse seja aprovado. Sendo esse o objetivo do PL de acordo com o próprio autor do mesmo.

Ainda em São Paulo o também deputado estadual Daniel José, eleito pelo Novo, diz que a educação é uma das suas principais bandeiras.

E o que defende (2)? Em entrevista à Folha o deputado deu indícios de sua plataforma para a educação: projeto Escola sem Partido, diminuição dos custos com educação congelando salários dos professores: diminuição do quadro de professores; gestão empresarial que permita diretor “enquadrar” mala funcionários (em qual critério?).

Algumas frases do deputado na entrevista são validades do que pensa sobre escolas e professores. Vejamos: “O estado de São Paulo é o segundo maior empregador do mundo. Se aumentar o salário do professor em R$ 10, o orçamento explode. Vamos separar o joio do trigo, tem professor que vai dar aula bêbado”, “A rede estadual tem 200 mil professores, mas funciona tranquilamente com 120 mil. O professor usa 30% do seu tempo para preparar aula, está mais preocupado em assistir Sessão da Tarde, nem é Netflix. As pessoas podem contar com meu sangue, suor e lágrimas, vamos comprar a briga para educar melhor os alunos.”.

Como se percebe, para defender o Escola Sem Partido o candidato tem que traçar uma imagem negativa dos professores como sujeitos que não buscam atualização, não merecem aumentos salariais e necessitam ser enquadrados para serem eficientes.

O lado de lá já demonstrou para que veio, necessitamos cada vez mais de organização para enfrenta-los!

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