Editorial

A luta pela previdência social é o que pode inviabilizar o governo Bolsonaro

As recentes postagens de Jair Bolsonaro no Twitter, onde um vídeo de escatologia pornográfica é postado para chamar atenção dos cidadãos de bem para o que supostamente se tornou o carnaval. Curioso é que isso ocorre após o presidente ter sido xingado em mais de um cortejo de foliões Brasil a fora. Esse comportamento é típico de crianças mimadas. Incomodando-se com as críticas decidiu chamar atenção de sua base conservadora e moralista contra o carnaval, mas feito de forma atrapalhada e amadora, tornou-se vexame instantâneo.

A cada momento fica mais evidente que o Brasil é brinquedo grande demais na mão do clã Bolsonaro, que não tem muita ideia do que fazer com ele. A reforma da previdência, que é um eufemismo para fim da aposentadoria no país, é a grande cartada do governo para agradar o mercado e se viabilizar. Apenas alguém com grande legitimidade dada pelas urnas seria capaz de levar a frente um projeto tão impopular, claro que a troco de queimar grande parte dessa popularidade.

A previdência precisa mesmo de uma reforma? E o chamado “rombo da previdência” não precisa ser combatido? O déficit em torno das contribuições de patrões e trabalhadores da previdência não é um problema em si, e o debate que tem ser feito é se a sociedade prefere pagar para que as pessoas possam se aposentar com dignidade e abrindo vagas no mercado de trabalho para mais novos. Os setores que realmente precisavam de uma mudança nas regras previdenciárias como os militares, justamente ficaram de forma da reforma. Outro elemento é que o terrorismo feito sobre o abalo da previdência nas contas públicas geralmente ignora o momento de desemprego recorde no país e o aumento vertiginoso da informalidade, o que reduz bastante o aporte de contribuições na previdência.

A burguesia nacional e a internacional não estão preocupadas com a saúde das contas públicas, mas sim com a disputa pelo fundo público. Ao Estado brasileiro economizar com previdência social sobra mais recursos para reduzir impostos, investir em infraestrutura para atender as demandas do capital e sustentar o rentismo financeiro regado a juros altíssimos. Sem falar na abertura de um lucrativo mercado das previdências privadas, para enriquecer ainda mais os bancos.

Acabar com a previdência é a missão dada à Bolsonaro e não cumpri-la pode acarretar no fim da lua de mel do mercado com o seu governo. A luta contra o fim da aposentaria é a luta fundamental que pode logo no primeiro momento inviabilizar Bolsonaro e sua agenda de retrocessos.

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