Opinião

Renovando Compromissos

Da redação

Ontem, 06/02, no canal por assinatura Globonews, Rodrigo Maia renovou publicamente seu compromisso de trabalhar pela aprovação da reforma da previdência.

Não houve mudança no discurso. A previdência é apresentada como deficitária. O “rombo” aumenta 50 bilhões por ano, disse o deputado. Durante a semana o Ministro Paulo Guedes cravou: “Em dez anos vamos economizar 1 trilhão!”.

O objetivo é melhorar o ambiente de aceitação da reforma junto à população.
Mas Maia foi pragmático durante a entrevista: “Para aprovar o governo vai ter que trabalhar”. Para o novo/velho Presidente da Câmara dos Deputados há de fato uma maioria que entende que a aprovação da Reforma é importante para o país, mas isso não se traduz automaticamente em voto.

O que Maia não disse, mas que ficou subentendido, é que para aprovar uma pauta tão desgastante não bastam bons argumentos. Vai ser preciso pressão política do empresariado, mobilização de Prefeitos e Governadores, barganha com o executivo federal e neutralização política de opositores de dentro e fora da Câmara.

Essa é a articulação que precisa ser feita. Na entrevista Maia deu sinais de que não vai se prestar a aprovar a todo custo, por exemplo, descumprindo frontalmente o regimento. Em dado momento o Jornalista Gerson Camaroti citou a possibilidade da Reforma tramitar ao mesmo tempo na Câmara e no Senado, o que figuraria uma excrecência do ponto de vista legislativo. Hipótese rechaçada imediatamente por Maia.

Os jornalistas globais questionaram como a Reforma da Previdência poderia caminhar junto com outras reformas como a tributária, o “pacote anticorrupção de Moro” e a pauta dos costumes. Nesse aspecto Maia foi claro ao afirmar que para passar a Reforma da Previdência não pode tramitar com mais nada que crie desgaste. Portanto, reforma tributária só depois da previdência, pacote anticorrupção só se não houver muito desgaste e pauta dos costumes só para o próximo mandato da Câmara daqui a dois anos.

A entrevista de Maia não soou como novidade. A imprensa já vinha divulgando da sua relação com o Ministro Paulo Guedes. Maia, na entrevista, quis exatamente se apresentar como “o cara” da pauta econômica. Ficou também um recado para os que se elegeram com base na pauta dos costumes, sobretudo do partido de Bolsonaro: suas pautas estarão em segundo plano.

Para Bolsonaro ficou o recado: ou doma a sua turma nesse primeiro semestre ou não vai aprovar a previdência. Para os opositores não restou dúvida sobre o caráter da Reforma e sua importância: barrar a Reforma é criar muitas dificuldades para todas as outras, ou seja, é ferir de morte o governo Bolsonaro.

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