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A queda de um mito

Por Caio Teixeira

Há um ditado popular que diz que a mentira tem perna curta. Reinaldo Azevedo escreveu no dia 25/01, em sua coluna para Folha de S.Paulo: Flávio Bolsonaro tem que renunciar para preservar o presidente. Os desdobramentos da investigação das movimentações financeiras de Fabrício Queiroz que começou a ser noticiada em dezembro, atingiram em cheio o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

De acordo com a coluna de Lauro Jardim, após primeira denúncia, Queiroz se abrigou em uma casa em Rio das Pedras, território dominado pela milícia.

Segundo reportagem da BBC Brasil, o filho de Jair Bolsonaro era lotado como assistente técnico de gabinete na liderança do PPB, partido de Jair na época, ou seja, ele já foi funcionário fantasma da Câmara dos Deputados, entre 2000 e 2002. Aos 19 anos, ele acumulava três ocupações em duas cidades diferentes: faculdade presencial, estágio voluntário e um cargo de 40 horas semanais na Câmara, em Brasília. 

Os fatos revelados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) tornam Queiroz um escudo muito frágil para proteger a família Bolsonaro. Há perguntas que só Jair, Michelle e Flávio podem responder. Michelle e Jair têm como provar que os 24 mil depositados em cheque para Michelle foram mesmo para pagar um empréstimo feito por Jair?

O jornal O Globo destacou no dia 20, que o COAF apontou movimentações atípicas no valor de R$ 7 milhões na Conta de Queiroz, entre os anos de 2014 e 2017. O Globo alertou ainda que o governo tentava blindar Jair. Segundo o jornal Valor Econômico, Flávio deixou de incluir na lista de bens apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma participação na microempresa Bolsonaro Digital aberta em conjunto com o pai, a mãe e os irmãos Carlos e Eduardo. Uma irregularidade que pode transformá-lo em alvo de ações da Justiça eleitoral.

No mesmo dia 20, Flávio deu uma entrevista à TV Record afirmando que as movimentações em sua conta bancária se referem à compra de um imóvel na zona sul do Rio. No dia 22, Queiroz já estava assumindo que foi ele que indicou e contratou Raimunda Veras Magalhães a mãe e Danielle Mendonça a mulher do ex-capitão do BOPE Adriano Magalhães da Nóbrega para o gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O ex-capitão do BOPE é alvo da Operação Intocáveis, deflagrada pelo Ministério Público-RJ e Polícia Civil. Nóbrega é apontado com um dos líderes da milícia que atua em Rio das Pedras, na zona oeste. Ele também é apontando como integrante do grupo de extermínio chamado Escritório do Crime. 

A Operação realizou 5 prisões em regiões como Rio das Pedras e Muzema, buscando atingir as principais atividades ilegais do grupo que se relacionam com o setor imobiliário – grilagem de terras, construção, venda e locação de imóveis. O major da ativa da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira foi preso, conhecido como “major Ronald”, também é apontado como líder do Escritório do Crime.

O zero um do presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) é investigado por mau uso do dinheiro público, suspeita de lavagem de dinheiro e agora tem que explicar sua ligação com a milícia, o que tem causado grande instabilidade no governo federal. Flávio quando era deputado estadual homenageou Adriano e Ronald na ALERJ. Adriano recebeu uma menção de louvor em 2003, e em 2005, a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria da Assembleia. Ronald foi homenageado após participar de uma operação no Complexo da Maré.

Flávio Bolsonaro foi o único deputado estadual a votar contra a concessão póstuma da Medalha Tiradentes à vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), assassinada em março de 2018. A principal suspeita da polícia é que Marielle e seu motorista, Anderson Gomes, tenham sido assassinados por milícias. A suspeita é que o Escritório do Crime foi responsável pelo crime. Adriano e Ronald foram ouvidos como testemunhas das investigações. 

Caiu o mito do combate à corrupção, os esquemas de Flávio são familiares, a filha de Queiroz atuou como funcionária fantasma no gabinete de Jair na Câmara dos Deputados. O patrimônio de toda a família é suspeita, assim como as ligações políticas e pessoais com a milícia.

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