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Lula e o Martírio do Estado de Direito

Por Gustavo Miranda

A cada dia que passa a condição de Lula como preso político fica mais evidente. Essa constatação nos ajuda a perceber que a democracia no Brasil vem se fechando num processo lento, gradual e seguro. Tudo dentro da formalidade.


O martírio de Lula após o falecimento do irmão não foi menor que o cinismo dos superintendentes, delegados, promotores, juízes e todos os outros envolvidos e obrigados a se manifestar sobre o direito de Lula se despedir do irmão. Tudo combinado.

A lei não vale mais de nada. Foi substituída por um ativismo autoritário e desavergonhado. Vivemos a era dos conceitos indeterminados. Tudo é “ordem pública”, proporcionalidade, razoabilidade, etc. A definição disso é o que menos importa. Tudo faz sentido.

O judiciário que atuou como agente desestabilizador de Dilma usou do seu ativismo para estabilizar o Governo Temer.

Quando Lula foi nomeado Ministro veio a “boa e velha” liminar para impedi-lo. Mas o fato que ensejou a proibição da posse Lula não foi suficiente para impedir a posse dos ministros corruptos de Temer. Com Supremo e tudo.


Tudo faz sentido quando no caso de Flávio Bolsonaro a cúpula do MP atua para blindar o Queiroz e estabilizar o governo Bolsonaro.


Aqueles que pretendem dar continuidade a agenda do golpe estão convictos que não podem dar nenhuma chance a resistência. E isso inclui isolar e desmoralizar qualquer um que expressão força popular para resistir. O que inclui, é claro, LULA.

O direito de poder fazer uma última despedida a um ente falecido não pode ser tolhido pela ineficiência da administração. Mas a vergonha ficou maior, pois as condições foram dadas pelo PT, e mesmo assim a recusa permaneceu.

O episódio evidencia a necessidade de colocarmos na agenda do dia a luta pelo estado democrático de direito. As vitórias contra a Reforma da Previdência de Temer/Bolsonaro só ocorrerão se o ambiente político estiver assentado em patamares mínimos de democracia, e a recuperação do direito de se expressão, de se manifestar, de divergir, de contestar não pode ser tratado como algo menor.
Solidariedade à Lula!
Vavá presente!

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