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A crise na Venezuela como expressão descivilizatória do Capital Imperialista

*Por Genesis Oliveira

A crise na Venezuela é econômica, social, política, mas, é sobretudo, provocada pelo imperialismo. Nós que fomos contra o impeachment da Dilma, devemos ser contrários a deposição de Maduro.

A tentativa de desestabilizar a Venezuela não vem de hoje. Já em 2002 a elite Venezuelana retirou Hugo Chavéz do poder por meio de um golpe de Estado que o levou ao cárcere. Chavéz volta ao poder 47 horas depois, conduzido pelo povo até o Palácio. A direita venezuelana precipitava os rumos da América do Sul, tentava fazer nos anos 2000 o que só poderia ocorrer nos anos de 2010.

A crise da Venezuela não pode ser vista apenas como uma crise de um governo ruim de Maduro, a crise da Venezuela é a criação do capital imperialista em sua fase financeira, que busca captar uma das maiores reservas de petróleo do mundo que ainda não foi aberta pro capital. Chamar Maduro de ditador se torna irracional quando temos a presença de Juan Guaidó e uma forte oposição predestinada a fazer a crise se acirrar. Qual ditador convive com uma oposição que se declara governante do país? A história do Brasil mostra que grandes massas nas ruas não é sinônimo nem de democracia, nem de justiça social.

A crise da Venezuela tem sido gestada por fora, por meio de embargos econômicos, acirrados na gestão Trump, cujo único objetivo consiste em retirar Maduro por meio de uma crise social, econômica e civilizatória que tem custado a vida de milhões de venezuelanos. Essa forma descivilizatória de assegurar a “democracia” do capital financeiro agora tem o reforço do Brasil, disposto a sufocar a Venezuela e aprofundar sua crise a patamares que colocam em risco a vida de milhões de venezuelanos.

Essa afirmação se expressa nos 6 minutos, não tão desprezíveis, da fala de Bolsonaro, onde o mesmo diz: “A América do Sul nunca mais será Bolivariana”. Logo depois explodem as manifestações em Caracas, Juan Guaidó se declara presidente, Trump e Bolsonaro o reconhecem de maneira imediata. Tudo articulado para acontecer no Fórum de Davos e amplificar internacionalmente a crise da Venezuela, sendo Bolsonaro o porta-voz de Donald Trump. A direita Venezuela tentou acabar com a perspectiva da esquerda na América do Sul em 2002, uma precipitação histórica que só poderia acontecer, como podem ver, em 2019.

O panorama atual é de um acirramento da crise venezuelana, que passa a um novo patamar de interferência do governo brasileiro nas relações políticas e econômicas com o país vizinho, tendendo a aprofundar a crise humanitária, ao invés de resolvê-la. É possível que vejamos em breve a tentativa de construção de um muro na fronteira com a Venezuela. Os rumos do país vizinho para resistir a essa crise gestada e aprofundada pelo imperialismo americano passa, sem dúvidas, pela China e Rússia, que já se manifestaram dizendo que não reconhecem o governo golpista. A Venezuela é a expressão da crise descivilizatória do capital-imperialista em sua fase de financeirização no mundo.

Sobre a direita venezuelana, estamos seguros que ela não é confiável. Sobre a esquerda brasileira e mundial, é tempo de romper o silêncio que fortalece apenas ao projeto de reordenamento das forças políticas do imperialismo na América do Sul. Sobre o futuro, ele dependerá em grande medida do primeiro confronto imperialista pós-guerra fria entre China, Rússia e Estados Unidos. Sem dúvida, o rumo desse conflito requer a articulação nacional e internacional dos trabalhadores, pois a história ainda continua sendo a história da luta de classes.

Gênesis de Oliveira é assistente Social. Mestre em Serviço Social pela UFRJ. Doutorando em Serviço Social pela UERJ. Professor do curso de Serviço Social na UFRRJ. 

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