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Vaquerito, presente!

*Por Wanderson Pimenta

“Me han matado cien hombres y qué cien hombres!”Che Guevara 
Há 60 anos, em 30 de dezembro de 1958, em Santa Clara, foi assassinado em combate Roberto Rodríguez Fernández, conhecido na guerrilha cubana por “Vaquerito”. Contava com apenas 23 anos de idade e era capitão do Exército Rebelde, mais especificamente do temido Pelotão Suicida, responsável pelas ações mais ousadas.

Em 1957 Vaquerito chegou descalço para se juntaras forças rebeldes
entrincheiradas em Sierra Maestra. Ali, segundo lendária narrativa, Celia Sánchez entregou umas botas que se ajustaram aos seus pequenos pés. De acordo com Che Guevara, “com novos sapatos e um grande sombrero, parecia um vaqueiro mexicano”. A partir de então, ninguém mais o chamaria por seu verdadeiro nome.

Conta-se que sua origem era extremamente humilde, como dezenas de milhares de jovens cubanos naquela oportunidade. Trabalhou desde criança na agricultura e, posteriormente, em diversos ofícios urbanos, recebendo parcos recursos. Muitos jovens como Vaquerito tornaram-se combatentes revolucionários e foram fundamentais para a chegada ao poder em 1º de janeiro de 1959.

Seu primeiro ofício no Exército Rebelde seria como mensageiro. Logo após, com sua impressionante capacidade imaginativa e audácia, incorporou-se às colunas comandadas por Camilo Cienfuegos e Che Guevara. Tido como jovem de grande integridade moral, também era conhecido pelo seu bom humor e por transmitir aos companheiros mensagens de autoestima nos momentos mais difíceis da guerra.

No livro “Passagens da Guerra Revolucionária”, Che Guevara assim o identificou: “Vaquerito demonstrava que a realidade e a fantasia para ele não tinham fronteiras determinadas e os mesmos feitos que sua mente ágil inventava, ele os realizava em combate; seu arrojo extremo se havia convertido em lenda quando chegou ao final toda aquela epopéia que ele não pode ver”. Vaquerito caiu em combate dois dias
antes do triunfo definitivo da revolução.

A capacidade de combate de Vaquerito o elevou ao Pelotão de elite criado por Che, que foi fundamental na derrocada da ditadura de Fulgencio Batista. Vaquerito, pessoalmente, foi fundamental para tomadas de municípios inteiros pelo exército rebelde. Em 30 de dezembro de 1958, a poucas horas do triunfo revolucionário, foi
atingido na cabeça por um tiro, durante os últimos combates em Santa Clara. Morreria poucas horas depois. A comoção tomou conta das tropas revolucionárias: “Mataram-me 100 homens! E que 100 homens!”, disse Che ao tomar conhecimento da notícia.

“Recordo – testemunhou também o comandante Guevara – que tenho a dor de comunicar ao povo de Cuba a morte do capitão Roberto Rodríguez, o Vaquerito, pequeno em estatura e idade, chefe do Pelotão Suicida, que jogou com a morte mil vezes na luta pela liberdade”.

60 anos depois, que seu exemplo de tenacidade,perseverança e humildade possa influenciar a juventude combativa da América Latina.

Vaquerito, presente!

Escrito com informações da Revista Cuba Hora

*Wanderson Pimenta é advogado, e militante da Seara Advocacia Popular, que é um coletivo de advogados formado para garantir defesa de lutadores sociais alvos de perseguição política e jurídica.

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