CubaDossiês

O Movimento Revolucionário 26 de julho

*Por Wanderson Pimenta

São 60 anos de uma das revoluções populares mais importante do mundo. Cuba, uma ilha caribenha de aproximadamente 11 milhões de habitantes, a pouco mais de 145 km dos Estados Unidos, colonizada pela Espanha até o fim do século XIX e, logo após, independente politicamente sob forte influência dos americanos, foi palco de um dos acontecimentos mais importantes da chamada “Guerra Fria”.

Liderada por Fidel Castro, jovem advogado nacionalista, filiado ao Partido Ortodoxo local, a construção do processo que culminou com a chegada das tropas revolucionárias em Havana no dia 01/01/1959 foi longo, complexo e multifacetado. Em linhas gerais, falaremos um pouco sobre o Movimento 26 de Julho, responsável pela articulação dos setores que chegaram ao poder a partir da fuga desesperada do ditador Fulgencio Batista, político que se perpetuou no poder a partir da força, trapaças e golpes,apoiado fortemente pelos norte-americanos.

As origens do nome estariam ligadas ao famigerado ataque liderado pelo líder máximo ao Quartel de Moncada, localizado em Santiago de Cuba, ocorrido em 26 de julho de 1953, que levou a morte de rebeldes e a prisão do restante, dentre eles, o próprio Fidel.Importante registrar, ademais, que aquele era o ano do centenário do ícone da independência de Cuba, José Martí.

É preciso relembrar que em Cuba não havia mais eleições livres, a oposição política estava na mais absoluta clandestinidade e sindicatos, imprensa e demais setores da sociedade viviam sob forte controle e repressão. Ao povo restava o crime, a violência, a miséria, o analfabetismo, enquanto que para um séquito no poder havia cassinos, dólares, arruaça e todos os tipos de corrupção possíveis e imagináveis. O ódio nutrido pelo povo aos americanos que transformaram o País em um imenso resort de férias,para oficiais e ricaços de Miami voltou-se contra o regime de terror presidido por Fulgencio Batista. Isto serviu como principal combustível para o nascimento e fortalecimento do Movimento 26 de Julho, nas cidades e no campo, de onde partiu a famigerada guerrilha de Fidel e Raul Castro, do médico argentino Che Guevara,de Camilo Cienfuegos e milhares de homens e mulheres combatentes anônimos.

Com a tentativa heróica de assalto ao quartel, nascia o princípio do fim de Fulgencio Batista, embora as tropas revolucionárias amargassem na ocasião uma dura derrota. Fidel e dezenas de militantes foram presos. No Tribunal, diante do seu julgamento, pronunciou sua histórica defesa, “A História me Absolverá”. Após uma intensa campanha popular pela anistia, Fidel e diversos revolucionários seguiram para o exílio no México. Ali, em 1955, nasceu o Movimento 26 de Julho, fundamental para a escalada que levaria os revolucionários ao poder.

A luta do povo cubano contra a ditadura tem uma diversidade impressionante. Importante notar que o”M-26-7″ ou “MR-26” era uma das inúmeras organizações que combatiam nas cidades e no campo. Talvez a mais importante delas, todavia, já que cumpriu papel organizativo de apoio às ações nas cidades, sendo parte de greves do movimento operário e rebeliões estudantis, estrutural para a chegada do iate “Granma” em Cuba, trazendo os Castro e dezenas de guerrilheiros, que vieram clandestinamente do México.

Com as centrais lideranças de Frank País (caído em combate em 1957) e Célia Sanchez, o Movimento 26 de Julho, porto do o seu simbolismo, passou para a história como a organização de massas que centralizou a ofensiva do povo cubano contra a tirania e a opressão. Dotado da principal estratégia e das melhores táticas, não haveria em 1º de janeiro de 1959, com achegada dos guerrilheiros em Havana, sem o trabalho exaustivo, clandestino,urbano e suburbano, dos integrantes do M-26-7.

O Movimento Revolucionário 26 de Julho seguiu vivo mesmo após a tomada do poder. Participou ativamente de todas as tarefas da revolução cubana, no pós-59. Em 1965, foi dissolvido junto a diversas outras organizações para a formação do Partido Comunista de Cuba. É celebrado desde então em 26 de julho o “Dia Nacional da Rebeldia Cubana”.

*Wanderson Pimenta é advogado, e militante da Seara Advocacia Popular, que é um coletivo de advogados formado para garantir defesa de lutadores sociais alvos de perseguição política e jurídica.

Etiquetas
Mostrar mais

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verifique também

Fechar
Fechar