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CUBA: PELA VIDA DAS MULHERES

*Por Lívia Duarte e Araceli Lemos

Exatamente em 1º de janeiro de 2019, Cuba, esta pequena ilha caribenha, comemorará 60 anos da revolução que derrubou a corrupta e sanguinária ditadura de Fulgêncio Batista. São seis décadas de extraordinárias conquistas sociais, mas também de uma dolorosa luta contra o criminoso bloqueio imposto e mantido até hoje pelos Estados Unidos, desde outubro de 1960.

Entre as mais importantes conquistas cubanas está, sem dúvida, a luta pela igualdade entre homens e mulheres. Guerrilheiras do porte de Célia Sanchez ilustraram o desejo das mudanças sociais na ilha. Uma revolução pensada para alcançar a liberdade e o poder para mulheres e também homens, passaria por penosas tentativas de sucesso.

Comparando com outros países latino-americanos, sobretudo com o Brasil, as garantias de direitos para as mulheres assegurados em Cuba são inimagináveis: todas as escolas são públicas e gratuitas. É obrigatório ir à escola até a nona série. Quanto à saúde, que também é oferecida sem custo pelo governo e com condições decentes para a população, apesar de todas as dificuldades enfrentadas por décadas de embargo econômico, os indicadores são extraordinariamente positivos. Há dois anos Cuba
surpreendeu o mundo ao anunciar ter recebido a validação da Organização Mundial da Saúde (OMS) como o primeiro país do mundo a eliminar a transmissão do vírus do HIV e da sífilis de mãe para filho. Essa conquista apenas ilustra o quanto é fundamental o sistema de saúde pública, gratuito e dotado de cobertura universal praticado em Cuba, e que se tornou exemplo para todo o planeta. Enquanto em outros cantos do mundo ainda se luta contra pela garantia dos direitos sexuais e reprodutivos, as mulheres cubanas têm direito ao aborto, diminuindo a mortalidade e politizando um processo racional de decisão sobre o próprio corpo e acompanhamento garantido para si e sua família.

Na década de 60, a Federação das Mulheres Cubanas foi fundada com a missão de garantir as políticas para as cubanas, e envolvimento nas questões de poder. A porcentagem de mulheres em cargos políticos ainda é insuficiente para a realização do ideal, mas a realidade cubana é o sonho de países como o nosso, aproximando-se dos 40% de representação.

O grande salto para o país sobre as mulheres: enquanto no Brasil por exemplo, percebe-se uma desenfreada busca pelo cerceamento à educação política, em Cuba inicia-se a formação política aos 14 anos.

O machismo ainda existe, e a luta contra todas as formas de opressão e de
patriarcalismo deve ser um objetivo permanente da revolução. Mas se existe uma lição em Cuba é a tranquilidade de ser mulher. Sentir-se segura pelas ruas, enquanto mulher, é indescritível.

A violência sexual é rigorosamente punida, mas, sobretudo, pensa-se hoje no tratamento psicológico dos criminosos também.

Enfim, que o exemplo da luta e das conquistas das mulheres cubanas inspire o fortalecimento da luta das mulheres brasileiras, justamente neste momento em que as forças do retrocesso e da barbárie se preparam para desencadear uma violenta ofensiva contra nossos direitos.
O governo de extrema-direita que tomará posse em 1o de janeiro que se prepare: contra suas medidas misóginas e brutais se levantará uma enorme maré de resistência, que terá na luta das mulheres sua força mais destemida e organizada.

*Lívia Duarte é Presidenta do PSOL Belém e da Executiva Nacional do PSOL, Araceli Lemos é Ex-Deputada Estadual e Dirigente do PSOL Pará.

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